O maior perigo para a nossa família

Crescem sentindo que algo lhes falta, embora não saibam exatamente o que é nem onde encontrá-lo. Querem se adaptar aos outros e, por isso, com seus jeans rasgados e camisetas estampadas, escondem a Centelha Divina que tenta emergir. A maioria deles sequer tem consciência de que descende de uma dinastia real.

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Racheli Reckles

Posted on 24.12.25

Um dos principais motivos da epidemia de almas perdidas nesta geração é o acesso ilimitado à televisão e à internet. O Rabino Shalom Arush compara a TV a uma lata de lixo. Aos pais que argumentam que existem programas educativos na televisão, o Rabino Arush responde:
“Diga-me uma coisa: vocês revirariam o lixo só porque talvez encontrassem um pedacinho de carne comestível?”

Eu tomei a decisão de tirar a televisão da minha casa quando percebi que meu filho mais velho só se sentia feliz e satisfeito se pudesse assistir a mais um tempo do programa Vila Sésamo. Depois, ele ficou exposto aos repugnantes e entediantes programas “infantis” do Disney Channel e da Nickelodeon. Talvez os títulos pareçam inocentes, mas, queridos pais, digam-me: vocês já se sentaram para assistir a essa porcaria? A avó que existe dentro de mim reapareceu em cena, com bengala e tudo, pronta para enfrentar o Bob Esponja e o Poderoso B!

Por que estamos destruindo nossos filhos expondo-os a tanta bobagem?
Em vez de deixá-los sentados no sofá, como pacientes parados, contaminando a cabeça com programas que, na minha opinião, podem fazer com que as crianças percam tantas células cerebrais quanto se estivessem se embriagando ou usando drogas, façam o seguinte: desliguem a televisão e arrastem-nos para fora para jogar uma partida de beisebol ou dar uma volta de bicicleta, para que aproveitem o ar fresco do fim de tarde. É verdade que vocês vão ouvir muitos gritos de protesto — talvez até recebam um chute na canela. Apenas desenhem um sorriso no rosto, mantenham o autocontrole, e verão que, depois de alguns dias passando tempo juntos, seus filhos não vão mais correr desesperadamente para ligar a televisão assim que chegarem em casa.

Mesmo aqueles que têm filhos adolescentes verão que, por baixo dessa aparência dura e dessa atitude de “não me importo nem um pouco”, ainda existe uma criança sensível, cujo maior desejo e cuja maior necessidade é que seus pais demonstrem amor e carinho.

O mesmo vale para a internet: precisamos ter muitíssimo cuidado ao permitir que as crianças fiquem conectadas. Isso é muito mais perigoso do que deixá-las assistir televisão, porque todos nós sabemos perfeitamente que tipo de sites estão facilmente disponíveis para que as crianças encontrem “por acaso”. O Rabino Arush apresenta a solução perfeita para esse tipo de problema:
“Peguem a televisão e joguem pela janela!”
E, se realmente precisarem de um computador em casa, por favor ativem o controle parental, para que seus filhos não se envolvam em problemas.

O terceiro grande motivo pelo qual as crianças estão tão perdidas hoje em dia é a falta de identidade. Por exemplo, há poucos dias descobri que meu trisavô… tataravô… enfim, meu ancestral, o Chacham Abdala Somej, foi o Grande Rabino de Bagdá em meados do século XIX! E não só isso: ele foi o principal mestre e cunhado do Chacham Yosef Chaim, mais conhecido pelo seu famoso apelido: o Ben Ish Chai! Como é possível que eu nunca tivesse sabido disso antes? O que quero dizer é que, em muitas famílias conservadoras e reformistas, o judaísmo acaba se perdendo completamente.

Em todo o mundo há judeus que hoje sofrem o holocausto da assimilação. O que me parece uma completa loucura é que se trata de um holocausto voluntário, no qual os pais acabam anulando a possibilidade de que seus filhos um dia estabeleçam uma conexão com o judaísmo e com a Torá. Não digo isso para que os pais se sintam mal — eu entendo de onde eles vêm. Eles querem o melhor para seus filhos, mas, como seus próprios pais não enfatizaram sua identidade judaica, é natural que não tenham forças para transmiti-la aos filhos. É como um efeito dominó, com consequências de longo alcance. O Midrash chama esse problema da assimilação de “Exílio de Edom” ou “O Quarto Exílio”.

Não faz muito tempo, envolvi-me em um debate acalorado com alguém judeu de forte inclinação reformista (não se esqueçam de que sou judia e meio iraquiana, e debates intensos são minha especialidade!). O que eu tentava explicar a essa pessoa é que, geração após geração, ao longo da nossa história, nossos antepassados morreram por serem quem eram. Durante a opressão romana e a Inquisição Espanhola, inúmeros judeus morreram santificando o Nome de Hashem, por se recusarem terminantemente a se converter. Eles morreram defendendo sua identidade e sua vida de Torá.

Na nossa geração, os judeus estão abrindo mão de sua identidade judaica por iniciativa própria, no caldeirão cultural da sociedade moderna. O problema desse tipo de “morte judaica” é que ela não é percebida de imediato. Só conseguimos enxergar seus efeitos uma ou duas gerações depois. Nossos filhos crescem sem senso de pertencimento, sem orgulho da profunda sabedoria de sua herança. Crescem sentindo que algo lhes falta, embora não saibam exatamente o que é nem onde encontrá-lo. Querem se adaptar aos outros e, por isso, com seus jeans rasgados e camisetas estampadas, escondem a Centelha Divina que tenta emergir. A maioria deles sequer tem consciência de que descende de uma dinastia real. Isso é uma verdadeira tragédia!

É como uma pessoa que não sabe que é de origem nobre e, em vez de assumir o lugar que lhe cabe no palácio real, passa a vida tentando se encaixar entre a burguesia. Não é de se admirar que essas crianças se sintam completamente perdidas! Estão tentando se assimilar a pessoas que não são como elas! Não percebem que são diferentes — e que jamais poderão ser iguais a elas!

Agora entendo melhor por que o mundo religioso é tão fechado. Eles não querem que seus filhos sofram esse tipo de crise de identidade. Querem manter seus filhos no caminho que Hashem reservou para eles: o caminho de iluminar a Centelha Divina que carregam dentro de si por meio da Torá e das mitzvot.

Queridos pais, por favor não me entendam mal. Não estou dizendo que todos devam juntar suas coisas e se mudar para um bairro religioso. Estou apenas sugerindo que passem um pouco mais de tempo aprendendo quem vocês são e de onde vêm, para que possam transmitir isso aos seus filhos e completar essa peça que falta no quebra-cabeça.

Comecem um projeto em família, construindo juntos uma árvore genealógica. Visitem um museu. Entrem em uma livraria e comprem livros sobre seu legado e patrimônio cultural. Juntem isso com um almoço em um restaurante kasher da região, e vocês terão um perfeito Dia do Renascimento Familiar Judaico!

Seja qual for a decisão que tomarem, lembrem-se apenas disto: ao darem aos seus filhos uma grande dose de TAC — Torá, Amor e Compromisso —, sem dúvida alguma estarão colocando-os no caminho que conduz a uma vida plena e feliz!

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