
Conselho importante para os pais
Só esse conselho já é capaz de salvar famílias e salvar almas. Ele dá aos nossos filhos resiliência, emuná completa e força para superar todas as más inclinações desta geração e crescerem como tzadikim, chassidim e verdadeiros amantes de Hashem.

Qualquer pessoa que não seja rabino deveria recitar todos os dias a bênção:
“Bendito seja [Hashem] por não ter me feito rabino”.
Ser rabino não significa ser um governante; ser rabino é uma forma severa de escravidão — a pessoa se torna escrava do povo de Hashem, como diz a Guemará¹. E um dos aspectos mais difíceis de ser rabino é ter que ouvir as pessoas contando todos os seus problemas.
Algumas das histórias mais dolorosas que se escuta são sobre filhos que estão “fora do caminho” (off the derech), que não apenas deixaram o caminho correto, mas também romperam completamente o contato com os pais. Ou o contrário — histórias de pais que cortaram relações com seus filhos por causa de um declínio espiritual. Não é à toa que a Guemará diz que um filho que se rebela contra o pai é como a guerra de Gog e Magog no fim dos tempos².
A verdadeira tragédia é que, às vezes, todos estão certos e fizeram as coisas certas. Por exemplo, o pai precisou repreender o filho e até afastá-lo um pouco, e o filho tinha um yetzer hara (má inclinação) muito forte. Então o que um pai deve fazer? Até que ponto deve ser firme? Quanto deve ceder e deixar passar? Hoje, todos os pais procuram o equilíbrio correto entre “a mão esquerda que afasta” e “a mão direita que aproxima”³. Como saber quando exigir, sem deixar de transmitir aos filhos a sensação essencial de que os pais sempre os amam?
Uma pergunta dessas não pode ser respondida por escrito, mas é possível mencionar um ponto extremamente importante e poderoso:
Todos os pais precisam saber — existem erros que é proibido cometer! Proibido!
Estar à altura do momento
Toda criança e todo jovem — em qualquer idade — tem momentos em que precisa do pai. Mesmo que você esteja muito bravo com seu filho, e mesmo que esteja cem por cento certo, quando seu filho precisa de você como pai, você deve deixar todo o resto de lado! Tudo! Deixe de lado a raiva e as reclamações; agora você precisa ser um pai cem por cento amoroso, ouvir seu filho e tentar ajudá-lo com o máximo de misericórdia e o máximo de amor.
Um dos momentos mais críticos para isso é a noite de sexta-feira. Quando você volta da sinagoga, deve abençoar todos os filhos com o máximo de amor. Mesmo que o dia inteiro — ou a semana inteira — a criança tenha te irritado e vocês tenham brigado, é preciso deixar tudo isso de lado, abraçar e abençoar com amor! Este é o momento de colocar o amor acima de tudo.
Querido pai, quando seu relacionamento com seu filho está instável, existem dois problemas: um pequeno e um grande.
O problema pequeno é o comportamento da criança e o motivo da briga. Mesmo que o filho tenha feito algo muito grave, isso ainda é o problema menor.
O problema grande, terrível e perigoso é a criança achar que o pai não a ama. Quando um filho pensa que o pai não o ama, isso não é apenas perigoso — é um perigo existencial e espiritual. Isso se torna um problema de emuná (fé)! Uma criança assim terá muita dificuldade — quase impossível — de acreditar verdadeiramente em Hashem. Existe o risco de perder completamente a conexão com o filho e o risco de que ele abandone o judaísmo por completo.
Se você não consegue deixar a briga de lado, isso prova para a criança que existe um problema muito sério no seu amor por ela. E, por outro lado, o bem é maior do que o mal: se você consegue estar à altura do momento e deixar a briga de lado, você prova ao seu filho que, acima de tudo, você é um pai amoroso! Você não tem ideia — nem como medir — o impacto disso! Mesmo que você não veja resultados imediatos, a longo prazo você estará literalmente salvando o filho, a emuná dele e o relacionamento entre vocês.
Mesmo quando eles “não merecem”
Aprendemos isso com nossos santos patriarcas, que não apenas nos ensinaram emuná, mas também o que significa ser pai. Na parashá desta semana, Yosef chega com seus dois filhos para serem abençoados por seu pai, Yaakov. Yaakov promete a Yosef que os dois netos, Efraim e Menashe, fazem parte das Tribos — são como seus próprios filhos: “Como Reuven e Shimon serão para mim”⁴.
No entanto, no momento em que Yaakov está prestes a abençoar as crianças, Rashi, em nome dos Chazal, diz que a Shechiná (Presença Divina) se afastou dele, pois de Menashe e Efraim sairiam pessoas perversas. Então ele pergunta: “Quem são estes?”⁵ E Rashi explica: “Quem são estes que não são dignos de serem abençoados?”
Yosef responde: “São meus filhos, que D’us me deu aqui!”. Yosef reza a Hashem até que Yaakov cede e diz: “Por favor, traga-os até mim para que eu os abençoe”⁶.
O Ohr HaChaim HaKadosh questiona: como Yaakov pode perguntar “Quem são estes?” — ele não reconhece seus próprios netos? O Ohr HaChaim explica que Yaakov queria despertar o amor do pai pelo filho antes de abençoá-los, para que a bênção fosse dada com o máximo de amor e carinho. Por isso ele perguntou “Quem são estes?” — para ouvir de seu filho querido: “são meus filhos”, despertando assim sua compaixão, conforme o versículo: “Sempre que falo dele, terei grande misericórdia”⁷.
Isso se encaixa perfeitamente com o que acontece depois. Antes da bênção, Yosef aproxima os filhos de Yaakov, e o santo avô, Yisrael, os abraça e beija. Vemos que, antes da bênção, Yaakov Avinu quer despertar o amor de todas as formas possíveis, porque a bênção é resultado e revelação de um grande amor — e é justamente o amor que dá força à bênção. Isso também é explicado no Ha’amek Davar.
Assim também nós: mesmo quando há problemas com os filhos, é preciso deixar tudo de lado, despertar o amor — como Yaakov Avinu — e abençoar os filhos com o maior amor e carinho possíveis.
Quanto maior o conflito, maior o amor
Isso também nos dá outra explicação para o desejo de Yitzchak de abençoar Esav⁸. Todos perguntam: como Yitzchak Avinu não percebeu que Esav era perverso? De acordo com o que vimos aqui, pode-se dizer que foi justamente porque Yitzchak sabia quem Esav era que ele quis abençoá-lo. Yitzchak queria aumentar seu amor por Esav de todas as formas possíveis; por isso pediu que ele preparasse uma refeição saborosa. Note que, nesse encontro, as palavras “meu pai” e “meu filho” aparecem várias vezes, e antes da bênção Yitzchak quer beijar o filho.
Mesmo quando Esav descobre que perdeu a bênção, Yitzchak não o abençoa imediatamente. Ele prolonga a conversa até que Esav chora — e só então o abençoa. Se ele podia abençoá-lo antes, por que não o fez? Porque Yitzchak queria despertar seus sentimentos de rachamim (misericórdia), e somente quando Esav chorou esses sentimentos afloraram.
Encontramos um diálogo interessante entre pai e filho na história da Akedá. Quando Avraham Avinu e Yitzchak caminham juntos, Yitzchak pergunta sobre o animal do sacrifício, mas antes diz: “Meu pai”, e Avraham responde: “Estou aqui, meu filho”⁹. Por que a Torá se dá ao trabalho de registrar esse diálogo?
Podemos dizer que, mesmo em um momento tão difícil, a Torá quer nos ensinar a prioridade do amor incondicional entre pai e filho.
O Divrei Yisrael traz uma explicação incrível: esse diálogo é um sinal eterno para todas as gerações. Sempre que um judeu se volta a Hashem e diz “Meu Pai”, Hashem responde imediatamente: “Estou aqui, Meu filho”. Não importa quem esteja pedindo nem o que tenha feito — Hashem atenderá com misericórdia.
Por isso é tão importante dizer isso todas as manhãs, no início das preces¹⁰, para lembrar que, quando rezamos, estamos diante de um Pai que nos ama em qualquer situação.
Um conselho que salva almas
Aprendemos com Yaakov mais uma forma de despertar o amor pelos filhos: julgar a pessoa favoravelmente, como Yosef disse: “São meus filhos que D’us me deu aqui”⁶. Veja o que eu criei aqui, no Egito. Se há algo de errado neles, não é neles em essência — é por causa do lugar onde estão. Mas eles continuam sendo “meus filhos”, tão justos quanto eu.
Assim como toda sexta-feira à noite abençoamos nossos filhos com a bênção que Yaakov deu a Efraim e Menashe, tudo o que Avraham, Yitzchak e Yaakov fizeram, nós também devemos fazer. Quando um filho chega até você e diz “Abba” — mesmo que não use essa palavra, mas espera uma bênção ou um abraço — você deve deixar tudo de lado e despertar o máximo de amor possível, até conseguir abençoá-lo de todo o coração.
Só esse conselho já é capaz de salvar famílias e salvar almas. Ele dá aos nossos filhos resiliência, emuná completa e força para superar todas as más inclinações desta geração e crescerem como tzadikim, chassidim e verdadeiros amantes de Hashem.





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