
Da Tristeza à Vida: o Caminho do Sucesso
Nada conseguiu tirar essa ideia da minha cabeça. Graças à alegria que tanto me esforcei para manter, começaram a surgir ideias, e eu comecei a agir. Lembrei que esse sempre fora meu sonho, e justamente no auge da crise comecei a tentar realizá-lo.

Minha história começa há aproximadamente cinco anos. Naquela época, eu era membro da equipe diretiva do conselho municipal de uma cidade no norte do país. Eu era casado e tinha três filhos. Vivíamos em uma casa muito luxuosa nos arredores da cidade. A hipoteca era altíssima, mas isso não era um problema, pois eu tinha um ótimo salário e também outras fontes de renda. Minha esposa cuidava das crianças com tranquilidade, e tudo corria perfeitamente bem.
Um dia, chegou ao trabalho um novo gerente que começou a me perseguir, apesar de eu ser excelente no que fazia. Tentei me aproximar dele, mas não consegui. Depois passei a evitá-lo, mas isso também não adiantou. O gerente decidiu que eu não era apto para o cargo. Então procurei o superior dele, mas isso tampouco ajudou. O superior sabia que eu era um ótimo funcionário, mas preferiu apoiar o gerente recém-nomeado.
Senti que uma grande injustiça havia sido cometida contra mim. Rezei a Hashem, fui até tzadikim para tentar anular o mau decreto, mas tudo continuava igual. Dois meses depois, fui demitido. Recebi a indenização e fui embora. Aos trinta anos, de repente, fiquei sem salário. Minha esposa estava grávida do nosso quarto filho e não podia contribuir com a renda.
Decidimos reduzir os gastos, mas o maior problema era a hipoteca altíssima da casa. Com o banco não se conversa com histórias — eles só entendem números. Fui ao escritório de empregos para analisar propostas de trabalho e me inscrever no seguro-desemprego. As propostas eram péssimas — e não vou mencioná-las por respeito a todos que trabalham honestamente — mas digam-me a verdade: como alguém que ocupava um cargo diretivo aceitaria um trabalho de nível tão baixo?
Depois de vários meses, comecei a procurar emprego com mais seriedade. Busquei nos anúncios dos jornais de fim de semana qualquer vaga que pudesse servir para mim, mas foi em vão. Todos preferiam pessoas mais jovens. Nesse meio-tempo, nossa filha nasceu. E, diante da situação financeira cada vez pior, a maior alegria que tive foi não precisar pagar os custos da cerimônia da circuncisão. Alegria de pobre…
O seguro-desemprego não cobria nem de longe nossas despesas, muito menos a hipoteca. Pedi dinheiro emprestado aos meus pais e depois ao meu irmão. Já começamos a falar em vender a casa e comprar um pequeno apartamento. Isso entristecia muito minha esposa, mas não havia alternativa. O pior de tudo, porém, era que eu havia perdido completamente minha autoestima. Depois de um ano inteiro vivendo do seguro-desemprego, eu me sentia um inútil.
Eu acordava muito tarde e desperdiçava o resto da manhã procurando desesperadamente anúncios de emprego no jornal. Às vezes, tinha vergonha de ficar em casa e ia a algum bar para ler os classificados. As pessoas que me conheciam me olhavam com pena: eu, que ocupara um cargo diretivo na prefeitura, havia me tornado, em apenas um ano, um coitado mexendo o açúcar no café em plena manhã, em vez de mover montanhas para conseguir um novo trabalho. Tentava sorrir, mas o sorriso saía torto. Depois comecei a fugir do olhar das pessoas, indo a bares mais distantes — e meu estado só piorava.
Tentei me fortalecer espiritualmente e li o livro No Jardim da Fé, que me deu muita força para aguentar. Mas a dura realidade sempre me dava um tapa no rosto: um ano inteiro havia passado e eu continuava na mesma situação. Estava prestes a vender a casa na qual havia investido tanto, e meu relacionamento com minha esposa se deteriorou muito. Já me via vivendo sozinho, sem esposa e sem filhos. As crianças sentiam a crise, o que se refletia no humor delas. Tentei ser forte por elas, mas não consegui. A sensação de fracasso e de não valer nada tomou conta de mim quase por completo.
Claro que eu não ficava triste o tempo todo — ninguém consegue viver assim. Às vezes, eu me sentia um pouco mais alegre. A bebê às vezes me fazia sorrir, e uma ou outra coisa ainda me trazia alguma alegria.
Então comecei a perceber algo muito interessante: toda vez que eu ficava alegre — por qualquer motivo que fosse, até pelo sorriso de uma criança, por uma piada ou por uma música de que eu gostava — sentia como se meu cérebro se expandisse, como se eu funcionasse melhor. Justamente naquela situação tão humilhante e desesperadora, eu valorizava cada pequena faísca de vida. Até quando saía rapidamente para jogar o lixo fora, sentia que havia realizado uma grande conquista.
E o contrário também era verdadeiro: toda vez que a dura realidade me dominava e me levava à tristeza, fazendo com que eu quisesse me jogar na cama e fugir de tudo, sentia que estava completamente perdido e que jamais conseguiria sair daquele buraco.
Foi justamente nessa situação difícil que comecei a perceber claramente os altos e baixos emocionais, até finalmente entender algo muito simples: a tristeza é morte, e a alegria é vida. Não importa o motivo da tristeza. Não importa o motivo da alegria. O simples fato de estar triste contrai a alma até levá-la, literalmente, a um estado de morte. E, por outro lado, o simples fato de estar alegre faz com que a pessoa se mova e consiga sair do buraco.
Tornei-me plenamente consciente da tristeza e de seus efeitos, e da alegria e de seus efeitos. Pouco tempo depois, quando já estávamos prestes a vender a casa, tomei uma decisão muito simples: eu precisava estar alegre a qualquer custo. Não importava o que acontecesse. Não importava se eu tivesse sucesso ou não. Meu objetivo de vida passou a ser apenas um: estar alegre — como ensina Rabí Nachman de Breslev.
Decidi parar de buscar sucesso e começar a buscar alegria. Decidi que a alegria seria meu único objetivo na vida.
Comecei a ouvir músicas de que gosto. Quando minha esposa e as crianças não estavam em casa, eu dançava sozinho. Não me importava se isso parecia estranho. A única coisa que me importava era que isso me deixava alegre. Percebi que boas piadas elevavam meu ânimo, então procurei listas de piadas limpas. Minha esposa notou a mudança e ficou feliz, mas não conseguia entender de onde vinha tanta alegria, se estávamos prestes a vender a casa para pagar as dívidas.
“Do que você está tão alegre?”, ela me perguntou.
“É preciso apenas estar alegre”, respondi. “Não me importa o que aconteceu nem o que vai acontecer. Tomei a decisão de parar de ficar triste.”
“Mas em poucos dias vamos ficar sem casa! Isso não te preocupa?”
“Não importa. Com o dinheiro que sobrar depois de pagar as dívidas, vamos poder comprar uma barraca bonita. Sempre sonhei em viver numa barraca, como um beduíno. A hipoteca e o imposto de uma barraca são baixíssimos…”
Ela me olhou com pena, mas quando viu que eu realmente estava feliz, acabou sorrindo também.
Um dia, veio me visitar um grande amigo, um dos poucos que ainda aparecia para me consolar pela situação em que eu estava — todos os outros haviam desaparecido. Ele ficou muito surpreso ao me ver de bom humor. Em vez de lamentar minha situação, comecei a apresentar várias ideias que eu tinha sobre o que poderia fazer da vida. Então lhe disse:
“O que você acha de eu criar um jornal semanal local?”
Meu amigo caiu na gargalhada:
“E eu que achei que você estava feliz naturalmente! Não me disse que tinha bebido algumas doses…”
“Não é brincadeira. Tenho muita experiência em redação e edição.”
Ao perceber que eu falava sério, ele levantou a voz:
“Você sabe do que está falando? Não é só escrever. Isso envolve publicidade, contabilidade, uma equipe inteira de funcionários…”
“Não se esqueça de que eu ocupava um cargo diretivo na prefeitura!”
“Sim, mas faz um ano que você não trabalha. Você está quebrado. Em vez de diretor, eu te colocaria para distribuir jornais na rua…”
As palavras dele não me afetaram. Levei a ideia muito a sério. Minha esposa também se assustou no início, mas ao ver que eu estava tão alegre, me deu sinal verde para seguir adiante. Outros amigos tentaram me dissuadir:
“Muitos já tentaram isso aqui na região e ninguém teve sucesso. Por que começar tão grande? Abaixe a cabeça, se recupere da crise e talvez, quando estiver melhor, possa pensar em algo assim…”
Nada conseguiu tirar essa ideia da minha cabeça. Graças à alegria que tanto me esforcei para manter, começaram a surgir ideias, e eu comecei a agir. Lembrei que esse sempre fora meu sonho, e justamente no auge da crise comecei a tentar realizá-lo.
Comecei a trabalhar de casa. Consegui dois excelentes jornalistas, uma editora experiente, uma funcionária e uma designer gráfica com muita experiência na área — e começamos.
Não vou cansá-los com muitos detalhes. Só vou dizer uma coisa: o primeiro número foi um sucesso absoluto. Um ano depois, já tínhamos quarenta funcionários, e o jornal era distribuído por todo o norte do país. Hoje, mal tenho tempo para descansar. E quando me perguntam qual é o segredo do meu sucesso, eu sorrio e respondo:
“O segredo? Um sorriso que não para nunca.” 😊
-Essa história foi contada no livro do Rav Shalom Arush, O Jardim dos Milagres




1/30/2026
Baruch HaShem por todo ensinamento, que nos traz a luz da Torá para nossas vidas! B”H
1/28/2026
Muito bom, incrivel concordo plenamente o sorriso que não para nunca. 😁
1/27/2026
Que história inspiradora 🙏🙏
Minha vida tem tido uma grande mudança com os ensinamentos de vcs.
Muito obrigada 🙏🙏🙏