
O amor abre todas as portas
Nossos sábios explicam que “com todo o teu coração” significa com ambos os impulsos: o yetzer tov e o yetzer hará. Servir a Hashem com o yetzer hará não é fácil; exige um alto nível de amor.

Quando o coração se abre
Você sabe qual é o pior traço que um marido pode ter?
Qual é a midá negativa mais destrutiva para o shalom bait (paz no lar)?
Ela é ainda mais destrutiva do que a ira, a dureza e todas as más midot. Qual é?
Durante muitos anos tive o mérito de orientar judeus no caminho do shalom bait, e vi isso repetidas vezes em inúmeros casais. Também escrevi sobre isso no meu livro No Jardim da Paz.
A pior midá no que diz respeito ao shalom bait é a avareza.
Um marido avarento jamais terá paz em seu lar!
Por quê?
Porque a esposa precisa saber e sentir que o marido a ama e o amor se expressa, muitas vezes, por meio do dinheiro.
Quando se ama, dá-se com generosidade; quando não se dá, quando não se compartilha, não há amor. E mesmo que o marido diga o dia inteiro que ama sua esposa, suas palavras não serão acreditadas nem tocarão o coração dela, pois não há entrega concreta por trás delas.
Neste mundo, o ato de dar é fundamental. Quando não há doação, na prática, não há amor. E se não há amor, como pode haver shalom bait?
Neste Shabat abençoamos o mês de Kislev. É verdade que Kislev se escreve com a letra vav, mas os darshanim explicam que seu som remete a duas palavras: kis (bolso) e lev (coração).
Neste mês, abrimos o coração e aumentamos o amor e, como consequência, abrimos também o bolso e aumentamos a tzedaká que damos. Porque o bolso e o coração estão conectados: se você não abre o bolso e não dá à sua esposa, você não a ama. Ponto final.
O auge do amor
Por isso, o que poderia ser mais apropriado para este Shabat do que o ponto máximo do serviço a Hashem de nosso patriarca Avraham, chamado “Avraham, que Me ama”?
O ápice de todo o seu serviço e seu maior nisayon (teste) foi justamente um teste ligado ao dinheiro: dar com total generosidade.
Na parashá anterior lemos que Avraham Avinu estava disposto a sacrificar seu filho amado. O que pode ser mais elevado do que isso?
No entanto, vemos que existe um teste ainda mais difícil: o teste do dinheiro. Por isso, após superar a prova da Akeidá (a amarração de Itzchak), Avraham precisou enfrentar mais uma prova — uma prova relacionada ao dinheiro.
O Talmud relata que os anjos ficaram impressionados com Avraham ao vê-lo superar esse teste:
“O Satán disse diante de Hashem: ‘Amo do Universo, percorri o mundo inteiro e não encontrei ninguém tão fiel quanto Teu servo Avraham. Tu lhe disseste: “Levanta-te e percorre a terra em seu comprimento e largura, pois Eu a darei a ti”. E quando ele quis enterrar Sara, não encontrou lugar algum até comprá-lo por quatrocentos siclos de prata e mesmo assim não questionou Teus caminhos.’”
Vemos, portanto, que o teste do dinheiro é ainda mais difícil do que o da Akeidá.
Com base nisso, podemos compreender a ordem das palavras no Kriat Shemá:
“Amarás a Hashem, teu D’us, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu poder.”
Nossos sábios explicam que “com todo o teu coração” significa com ambos os impulsos: o yetzer tov e o yetzer hará. Servir a Hashem com o yetzer hará não é fácil; exige um alto nível de amor.
Acima disso está “com toda a tua alma”, ou seja, mesmo que Ele tome a tua vida — a disposição para entregar a própria vida por Hashem. Parece não haver nível mais elevado.
Mas a Torá nos surpreende: “e com todo o teu poder”, que os sábios interpretam como “com todo o teu dinheiro”.
Esse é o nível mais alto de todos, ainda acima do sacrifício da própria vida, o auge do amor a Hashem.
Rabí Nachman ensina: como se cumpre “com todo o teu poder”?
Dando um quinto dos rendimentos à tzedaká — vinte por cento.
Parece algo enorme. Como isso é possível? Aprendamos o segredo de Avraham Avinu.
Amor com emuná
No Kriat Shemá, assim como na vida de Avraham Avinu, vemos que a emuná e o amor a Hashem caminham juntos.
O primeiro versículo do Shemá é uma declaração de fé na unidade de Hashem, e logo em seguida somos ordenados a amá-Lo.
Avraham é chamado “Avraham, que Me ama”, por ter alcançado um amor completo a Hashem, e ao mesmo tempo o Talmud o descreve como “o mais fiel”, destacando sua emuná.
Essa é a base que repetimos sempre: a verdadeira emuná em Hashem é acreditar que Hashem me ama.
Quando um judeu sente de verdade que Hashem o ama, ele naturalmente passa a amar Hashem também, porque a emuná verdadeira leva ao amor.
Como é possível ordenar o amor?
A mitzvá é reconhecer o quanto Hashem nos ama. Como dizemos antes do Shemá: “Com amor eterno Tu nos amaste”.
Quando essa consciência se fixa no coração, o amor a Hashem surge naturalmente.
Não é possível alcançar um amor completo a Hashem sem uma emuná completa, pois a verdadeira emuná é saber que Hashem me ama – a mim e a cada judeu individualmente – em qualquer situação.
E isso desperta o amor verdadeiro por Ele.
O segredo da generosidade de Avraham
Avraham Avinu alcançou o auge da emuná e, consequentemente, o auge do amor a Hashem expresso em sua total entrega financeira.
Em nossa parashá vemos que Avraham gasta grandes somas sem hesitar e sem discutir preços. Mais ainda: “fala pouco e faz muito”; sempre oferece o melhor.
Conta-se sobre o Ari HaKadosh que, ao pagar por uma mitzvá, jamais negociava o preço. Ele colocava sua bolsa de dinheiro diante do vendedor e dizia: “Pegue o que quiser”.
Ao longo de todas as parashiot que falam de Avraham, vemos sua generosidade e sua facilidade em se desprender do dinheiro.
Como se chega a um nível tão elevado de entrega?
Por meio da emuná de que “Hashem sempre me ama e tudo será para o meu bem”.
Quando um judeu sabe que Hashem o ama, ele confia plenamente que Hashem sempre lhe dará tudo o que precisa.
Somente alguém que vive com essa certeza consegue amar Hashem sem limites e gastar seu dinheiro em mitzvot, dando até um quinto à tzedaká sem medo algum. Ele age por amor verdadeiro a Hashem, cumprindo assim o versículo:
“Se um homem desse todas as riquezas de sua casa por amor, isso seria totalmente desprezado.”
A reparação da idolatria da nossa geração
Nossos sábios anularam o yetzer da idolatria, mas não o anjo que a representa.
Em nossa geração, a idolatria se manifesta como o amor ao dinheiro.
Rabenu ensina que todas as idolatrias das nações estão ligadas ao dinheiro.
Assim como a emuná combate a idolatria, o ponto mais elevado da emuná – acreditar que Hashem me ama e que só terei o bem – combate o ponto mais elevado da idolatria: o amor ao dinheiro.
O único remédio verdadeiro contra o desejo desenfreado por dinheiro é saber e acreditar que Hashem me ama e sempre me fará o bem, e que eu não dependo do dinheiro, mas apenas do amor e da bondade de Hashem.
Que Hashem nos conceda a compreensão plena de que Ele nos ama pessoalmente, sempre, em qualquer circunstância, e que deseja apenas o nosso bem.
Então gastaremos com amor em tudo o que se relaciona com Sua vontade, confiando plenamente que Ele nos dará cada vez mais, fará conosco cada vez mais bondade, e que sempre tenhamos somente o bem.
Amen.





2/06/2026
Olá, que meu amor e a minha emuna cresça e cresça servindo a Hashem, com todo o meu coração, alma e força, gratidão.
2/04/2026
Me ajudou muito essa mensagem vencendo obrigado
2/03/2026
Aprendizado: Temos que aprender a depender da bondade de HaShem e ter em mente algo muito forte de que Ele nos ama e supre todas as nossa necessidades. Quando fazemos o que é certo com Emuna, a bondade d’Ele overflow.
Rav, poderia citar exemplos de situações ligada ao dinheiro , testemunhos que pessoas já compartilharam sobre a bondade de HaShem depois de parar idolatrar o dinheiro .