
A ação revela quem você é
Quem lê a Torá e fecha o livro pode achar que tem emuná, mas essa é uma fé muito fraca, de baixa voltagem: uma bateria pequena que mal acende uma lanterna.

Ver os sons
Hoje em dia, qualquer palestrante reconhecido precisa se apresentar, no mínimo, com um ou dois vídeos. O ideal é que sejam impactantes, emocionantes e transmitam a mensagem com força. No mínimo, espera-se uma apresentação em PowerPoint que acompanhe a palestra.
Por quê? Porque, mesmo que o rabino ou conferencista seja um grande orador e tenha um talento extraordinário para transmitir ideias, o vídeo é muito mais eficaz. O vídeo fala às emoções; desperta o coração. Porque ouvir algo não é o mesmo que ver, e a própria Guemará já ensinou que ouvir não é superior a ver.
Por favor, não entenda isso como uma recomendação para assistir filmes, nem mesmo “educativos”. Não precisamos de um filme para despertar e nos emocionar. Nosso trabalho como estudantes de Torá é dar vida ao que lemos na Torá, a ponto de senti-lo como se estivéssemos vendo tudo com nossos próprios olhos.
E esse é o estudo perfeito da Torá: que a Torá esteja viva, que seja palpável. Tudo o que você aprende, desenhe em sua mente. Imagine um cajado devorando outro cajado, como o cajado de Aharon engolindo os cajados dos sábios egípcios… O que você sentiria se tivesse visto isso com seus próprios olhos?
Essa foi a qualidade especial de Itró. Itró não viu todos os milagres e maravilhas das Dez Pragas nem a abertura do Mar Vermelho; ele apenas ouviu falar deles. Primeiro ouviu à distância e veio: “Itró, sogro de Moshê, sacerdote de Midiã, ouviu…”. E depois, “Itró veio até Moshê” para ouvir de uma testemunha direta todos esses acontecimentos, com cada detalhe.
E ele voltou a ouvir, desta vez da boca de Moshê Rabenu: “E Moshê contou ao seu sogro tudo o que Hashem havia feito ao Faraó e ao Egito…”.
Embora naquela época não houvesse câmeras nem vídeos, Itró levou essa história profundamente ao coração: “Itró se alegrou por todo o bem”. Ele não apenas apreciou o relato; não apenas acreditou; não apenas disse: “Que maravilhoso!”. Não. A história o afetou como se ele mesmo tivesse estado lá. Por um lado, alegrou-se intensamente, como se tivesse passado por todas aquelas dificuldades e testemunhado a grande salvação. E, por outro lado, estremeceu, pois havia sido conselheiro no palácio do Faraó e conhecia aquelas pessoas; e é terrível ouvir que todos aqueles que você conhecia morreram de formas tão estranhas e sofreram tanto.
Itró não apenas ouviu: ele criou imagens na mente, imagens que lhe permitiram ver a Mão de Hashem de forma concreta e se alegrar — ou seja, alcançar uma emuná completa em Hashem e em Seu poder ilimitado.
“Ouvirás e farás”
Muitas pessoas chegam a acreditar que Hashem é todo-poderoso… e param aí.
“Tudo bem, entendo que Hashem é Ein Sof e onipotente. Mas o que isso tem a ver com a minha vida?”
Por isso, muitos ouviram sobre os milagres da saída do Egito e da abertura do Mar Vermelho, mas não vieram se converter. Todo o mundo ouviu… e não fez nada. Apenas “ouviram”: a informação entrou por um ouvido e saiu pelo outro.
Mas Itró “ouviu e veio”. O que ele ouviu o afetou, e ele esteve disposto a mudar. Estava disposto a abandonar toda a sua vida e seu status social. Estava disposto a aceitar sobre si o jugo do Céu e o jugo das mitzvot; e, acima de tudo, aceitou sobre si uma emuná completa.
Na verdade, Itró não apenas ouviu: ele conhecia muito bem a realidade, como explica Rashi. Ele havia estado no Egito e sabia que era impossível que um escravo escapasse de lá. Conhecia os poderes da feitiçaria e da tumá, o poder do Faraó e seu ódio pelo povo judeu. E agora via todo o povo judeu livre, comendo maná, com um poço que os acompanhava e lhes fornecia água em abundância, suficiente para seiscentos mil homens e suas famílias; e além disso, tinham a Torá e as mitzvot. Isso deixou Itró atônito e maravilhado.
Mas Itró não apenas se maravilhou: ele agiu!
Quando ouviu à distância sobre os milagres, deixou tudo imediatamente e veio. E quando os ouviu diretamente de seu genro, encheu-se de alegria — vayichad — e imediatamente bendisse Hashem e ofereceu sacrifícios; ou seja, quis se aproximar ainda mais de Hashem.
Ouvir é fazer
A Torá elogia Itró e lhe dedica parágrafos inteiros; inclusive, a parashá em que a Torá é entregue leva seu nome. Por quê? Porque a Torá quer que adotemos sua forma tão especial de reagir. A mensagem que emerge de Itró é clara e poderosa: Itró ouve e age imediatamente.
Quando você ouve uma aula sobre emuná, o que você faz?
Quando estuda Torá e aprende sobre os milagres da saída do Egito, o que você leva disso para a sua vida?
Como você realmente muda?
Você diz “impressionante!” e segue com sua vida, ou fica abalado e avança imediatamente, transformando tudo isso em ações reais?
Itró ouve e age.
Se o Criador do mundo tem um poder tão grande, se existe um povo assim, eu não posso continuar sendo o mesmo! Preciso mudar!
Se você vê os milagres da saída do Egito, as Dez Pragas e a abertura do Mar Vermelho não como cenas de um filme, mas como se você mesmo estivesse dentro deles, tudo isso precisa te transformar e te afetar. Por um lado, deve te sacudir; e por outro, te encher de alegria e fé.
E isso te obriga a se levantar e agir.
“E suas mãos permaneceram firmes (emuná)” — isso é a tefilá
E qual é a ação? Tefilá (reza). E mais uma reza, e outra ainda, com todas as forças. Uma reza longa, até que chegue a salvação.
Se Hashem é Todo-Poderoso, como posso viver em paz com tudo o que me falta na vida? Com todas as dificuldades, problemas e batalhas que enfrento? Como não ativar o poder ilimitado que tenho em minhas mãos — o poder da tefilá? Como não me dirigir ao Todo-Poderoso, que possui todo o poder do mundo, e rezar até que meus problemas sejam resolvidos?
Quem lê a Torá e fecha o livro pode achar que tem emuná, mas essa é uma fé muito fraca, de baixa voltagem: uma bateria pequena que mal acende uma lanterna.
Mas quem realmente entende o que acabou de ler, vive o que aprende e compreende em seu coração e em sua alma o verdadeiro poder da emuná, não pode deixar sua fé funcionando como uma bateria pequena. Ele entende que essa emuná é uma usina elétrica, capaz de iluminar e aquecer uma cidade inteira. A emuná é uma força imensa!
E como se usa essa força? Rezando.
A tefilá é a conexão com Hashem, a conexão com o poder da emuná; é o próprio ato da fé.
O resultado do estudo da história do Êxodo e de todos os milagres que aconteceram com nossos antepassados ao longo das gerações deveria ser um fortalecimento da emuná, isto é, um fortalecimento da tefilá. Quem tem emuná e acredita, reza. Se você não reza, não acredita o suficiente. Uma reza fraca indica que você não entendeu, não internalizou e não viveu verdadeiramente o que aprendeu.
Seis horas e salvações
Por isso, queridos judeus, vamos ao prático.
Você tem um problema que te preocupa? Você pode desperdiçar muitas horas se esforçando, se preocupando e falando sobre o assunto, sofrendo enquanto isso e muitas vezes todos os conselhos e esforços só pioram as coisas.
Mas se você crê em Hashem, invista pelo menos a mesma quantidade de tempo na única coisa que realmente pode te ajudar: a reza. Separe seis horas e vá a algum bosque, a um campo aberto, a um lugar onde você possa se desconectar do mundo, e fale com Hashem. Reze longamente, com muitos detalhes, sobre aquilo em que você precisa de salvação.
E você verá salvações. E se já passou seis horas assim e a salvação ainda não chegou, faça de novo, e mais uma vez. Isso é emuná: as salvações vêm apenas de Hashem, apenas por meio da reza, apenas com fé. E toda reza prolongada não retorna vazia. Esta é uma lei mais forte do que as leis da natureza: é a lei da fé.
E se sabemos que o povo judeu, no momento da entrega da Torá, antecipou naassê (faremos) a nishmá (ouviremos) — o que foi um grande mérito —, também há um mérito enorme em quem sabe ouvir e fazer. Em transformar a Torá em tefilá. Com emuná, tudo o que se ouve deve se traduzir em ação: em prolongar a oração e as horas de hitbodedut. E somente assim se vê uma mudança real na vida.






2/20/2026
Muito obrigada pelos ensinamentos, a fé judaica convida a gente a viver com Emuná total em Hashem.
2/18/2026
B”H
Bom dia.
Deus seja louvado sempre, agradeço de coração pelos ensinamentos e desejo que que possa ser alcançados por um número incalculável de pessoas, que vocês seja abençoados com ensinamentos para repassá-los a todos, pois muitos estão carentes da palavra de Deus e voltar a trilhar seu caminho e fortalecer sua fé e confiança.
Deus seja louvado hoje e sempre e com sua infinita bondade e misericórdia lance seu olhar e suas mãos sobre nós.
Agradeço pela lição, forte abraço a todos.
2/17/2026
Obrigada pela mensagem, estou passando por um desafio muito grande, não é financeiro nem saúde, mas algo que me aflige. Deixei o cristianismo graças a vocês, graças a vocês sou grata, graças a vocês estou aprendendo muito. Agora vou falar mais ainda com o Eterno, obrigada por isso, obrigada por me dar esperança mais uma vez. Estou chorando aqui, mas com alegria e esperança