
A forma certa de estudar a Torá
Rabi Akiva via-se com extrema humildade como nada sem Hashem. Por isso, rezava por tudo. Como tudo o que alcançou foi resultado da reza, tudo lhe foi benéfico! Dessa forma, pôde acessar os segredos mais elevados da Torá sem perder a sanidade ou cair na arrogância.

A Guemará descreve os quatro sábios que adentraram a dimensão interior da Torá, chamada de forma metafórica de Pardes, o pomar (ver tratado Chaguigá 14b):
“Rabi Akiva entrou em paz e saiu em paz; Ben Azzai olhou e foi atingido; Ben Zoma olhou e morreu; Acher [Elisha ben Abuya] destruiu as plantações.”
Primeiramente, analisemos a figura de Rabi Akiva, que foi capaz de entrar nos portais mais profundos dos segredos da Torá em paz e sair em paz. Rabi Akiva não possuía apenas um intelecto prodigioso, mas também um caráter extremamente íntegro. Ele enfatiza que amar o próximo como a si mesmo é a essência da Torá. Rabi Akiva é também o pilar da emuná, ensinando-nos que tudo o que Hashem faz é sempre para o bem (ver Berachot 60b). Ele atingiu os mais altos níveis de emuná e humildade. Toda a Torá Oral deriva dele. Nossos Sábios dizem que ele era digno de ter recebido a Torá no Monte Sinai.
Rabi Akiva não nasceu em berço de ouro. Era filho de convertidos e, até os 40 anos, um simples trabalhador braçal. Tudo o que alcançou foi fruto de dedicação, esforço intenso e reza. Ele chorava diante de Hashem por cada parcela de Torá que aprendia. Sofreu uma pobreza indescritível. Ainda assim, serviu a Hashem e estudou Torá com todo o coração. Suas desvantagens tornaram-se suas maiores vantagens, pois sua pobreza e origem humilde tornaram sua ascensão espiritual e em Torá ainda mais extraordinária. Tornou-se um dos maiores do nosso povo, mas jamais esqueceu de onde veio.
Rabi Akiva via-se com extrema humildade como nada sem Hashem. Por isso, rezava por tudo. Como tudo o que alcançou foi resultado da reza, tudo lhe foi benéfico! Dessa forma, pôde acessar os segredos mais elevados da Torá sem perder a sanidade ou cair na arrogância.
Rabi Nachman ensina (Likutei Moharan I:31) que Ben Azzai e Ben Zoma eram tzadikim do mais alto nível, pois nossos Sábios dizem:
“Quem vê Ben Azzai em sonho pode esperar alcançar piedade; quem vê Ben Zoma em sonho pode esperar alcançar sabedoria” (Avot de Rabi Natan, cap. 40).
Ainda assim, apesar de sua grandeza, não conseguiram enxergar o que Rabi Akiva enxergou sem sofrer danos. Por quê?
Rabi Natan de Breslev sempre nos recorda que onde há deficiência, há falta de reza. Ou a pessoa não rezou, ou não rezou o suficiente. Não podemos dizer que esses dois tzadikim não rezavam; porém, podemos dizer que não rezaram o suficiente. Pois, se tivessem rezado tanto quanto Rabi Akiva, também teriam entrado e saído em paz. A deficiência na reza deixou uma deficiência interior, pois lhes faltou o recipiente adequado para conter tamanha luz Divina.
Para trilhar com segurança os elevados caminhos espirituais por onde esses dois sábios caminharam, é necessária uma quantidade extraordinária de reza. Ben Azzai “olhou e foi atingido”; ou seja, por não possuir um vaso espiritual suficientemente forte para conter tamanha luz — ou, de forma mais simples, sua alma não conseguiu suportar segredos tão sublimes da Torá — ele perdeu a sanidade.
Qualquer pessoa que não fortalece sua alma com reza suficiente não terá a capacidade de estudar Torá de forma benéfica. Em uma época, morei em Bnei Brak. Tinha um vizinho que ficou completamente desorientado devido ao estudo excessivo de Guemará. Ele estudava dia e noite até praticamente perder a mente. Os líderes rabínicos envolvidos no caso decidiram firmemente proibir esse indivíduo de continuar estudando Guemará. Permitiram-lhe trabalhar, viajar, ouvir música ou fazer qualquer outra coisa — exceto estudar Torá. Não tenho dúvida de que, se esse homem tivesse aplicado o conselho de Rabi Nachman, de rezar antes e depois do estudo da Torá, ele também teria tido sucesso.
Se Ben Azzai “olhou e foi atingido”, Ben Zoma “olhou e morreu”. Ben Zoma não possuía os meios para lidar com tamanha luz Divina e acabou perdendo a própria vida.
Reforcemos: Ben Azzai e Ben Zoma eram dois tzadikim em níveis além da nossa compreensão. Se eles puderam ser prejudicados por estudar Torá sem oração suficiente, o que podemos dizer nós, pessoas simples desta geração? Certamente devemos investir grande esforço na oração. A obra Tefilá L’Oni explica que Ben Azzai e Ben Zoma colocaram mais ênfase no estudo do que na reza; por isso, foram expostos aos mais elevados segredos da Torá sem proteção adequada. Podemos comparar suas almas a uma lâmpada de 100 watts que, de repente, recebe uma corrente de 250 watts — ela não suporta a carga e explode. Portanto, se até os maiores tzadikim precisam fortalecer suas almas com reza para se tornarem recipientes dignos da luz da Torá, quanto mais nós!
Tanto o Talmud Babilônico quanto o Talmud de Jerusalém explicam as razões que levaram à queda de Elisha ben Abuya. Quando se tornou um herege completo, seus contemporâneos tzadikim nem sequer mencionavam seu nome; chamavam-no de Acher, “o outro”. O início de sua trajetória na Torá não foi por amor a Hashem. Seu pai, ao ver o prestígio concedido aos estudiosos da Torá, desejou que seu filho também se tornasse um. Outras opiniões no Talmud dizem que as circunstâncias de sua concepção não foram santas, e que, durante a gravidez, sua mãe sentiu o aroma do incenso de uma casa de idolatria, fatores que tiveram efeitos trágicos sobre o filho ainda não nascido. Outra explicação afirma que Acher ouvia música grega e confundia crianças pequenas com questionamentos filosóficos e existenciais sobre a existência de D’us. A combinação de todos esses fatores levou à sua queda.
Se dizemos que Ben Azzai e Ben Zoma não rezaram o suficiente, podemos dizer que Acher não rezou de modo algum. Se tivesse pedido a Hashem que o guiasse no caminho da verdade e da retidão, Hashem certamente teria atendido. Ele não teria chegado a um destino tão trágico e herético.
O Midrash (Yalkut Shimoni, Mishpatim) traz uma prova adicional do que dissemos: Avshalom, Doeg, Korach, Achav e Elisha ben Abuya foram resgatados do Guehinom ao dizerem “na’asseh venishmá” — “faremos e ouviremos”. Este Midrash revela um grande segredo: todos esses indivíduos eram extremamente brilhantes, mas, no momento em que justificaram o rigor do julgamento contra eles e aceitaram a emuná simples, suas sentenças foram atenuadas. O fundamento de na’asseh venishmá — fazer antes de compreender — significa colocar a emuná acima da capacidade intelectual. Em outras palavras: a oração deve preceder a Torá.
Quando a pessoa compreende esse princípio, os julgamentos severos contra ela também são suavizados.
Que todos nós cresçamos em reza e em Torá. Amen.






2/12/2026
Estou 7 messes desempregada estou rezando pra Hashem me dá uma oportunidade de emprego digna pois já está me batendo um desespero ver meu filho precisando das coisas
Oque isso significa? Que não estou rezando o suficiente? Ou talvez ele não queira falar comigo? Eu não sei
Mas uma grande história achei hipnotizante muito legal adoro aprende sobre torah sobre os sábios
2/11/2026
Baruch HaShem, que texto lindo e profundo! Que o Eterno lhe conceda muitas brechós! Bz”H