O respeito ao próximo

Somos ordenados a fazer o máximo para imitar o Criador — assim como Ele é misericordioso, nós também devemos ser. Uma tarefa central no refinamento do caráter é transformar a raiva em misericórdia. Ou seja, sempre que uma pessoa sentir vontade de se irritar com alguém, deve parar, respirar fundo e refletir.

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Rabino Shalom Arush

Posted on 12.04.26

Observar as mitzvot entre o homem e o seu semelhante é algo que deve ser a maior prioridade de cada pessoa durante todo o ano — e ainda mais durante a Contagem do Ômer, quando diminuímos muitas atividades de alegria por causa da morte dos 24.000 alunos de Rabi Akiva, que não souberam se respeitar adequadamente.

Existem situações em que uma pessoa fere outra; o agressor se arrepende do que fez, faz teshuvá e pede perdão à vítima. A vítima, porém, se recusa a perdoar. Então, o agressor piora ainda mais a situação e diz: “Quem precisa do seu perdão estúpido?” E, se a vítima for sua esposa e ela se recusar a perdoá-lo, ele diz: “E daí? Não perdoe! Eu não preciso de você nem do seu perdão”, e continua a insultá-la.

Qualquer pessoa que pede perdão deve estar preparada para a possibilidade de que a vítima se recuse a perdoar. Ele deve anteceder seu pedido com uma tefilá a Hashem, pedindo que Ele abra o coração da vítima para que ela esteja disposta a perdoar. E, se ainda assim a vítima se recusar, deve aceitar isso com amor e dizer: “Você tem razão em não me perdoar.” Mais tarde, deve tentar novamente.

Imagine que, quando sua esposa — ou qualquer outra pessoa — se recusa a te perdoar, é porque foi profundamente ferida pelo que você disse ou fez. A única solução é um esforço verdadeiramente sincero de pedir desculpas e reparar o dano. Lembre-se de que ferir a dignidade de outro ser humano é ferir o próprio Criador. Mais uma vez, mesmo no caso de grandes sábios da Torá como os 24.000 alunos de Rabi Akiva, que morreram entre Pessach e Shavuot, o desrespeito ao próximo é algo extremamente grave.

Todo o propósito de estudar Torá e cumprir suas mitzvot é se aproximar do Criador. Refinar o caráter e melhorar a forma como tratamos os outros faz exatamente isso. O Criador criou o mundo para que as pessoas se amem e se respeitem.

Não se confunda: já explicamos que o Criador criou o mundo para revelar Sua misericórdia. A misericórdia do Criador se manifesta especialmente quando as pessoas são misericordiosas umas com as outras, pois isso revela o propósito central da criação — a misericórdia. A misericórdia é a raiz de toda a criação. Por isso, o Criador é chamado em aramaico de Rachmana — o Misericordioso. A Torá nos ensina que existem treze atributos de misericórdia, que correspondem aos treze princípios de interpretação da Torá, pois toda a Torá é fundamentada na misericórdia.

Somos ordenados a fazer o máximo para imitar o Criador — assim como Ele é misericordioso, nós também devemos ser. Uma tarefa central no refinamento do caráter é transformar a raiva em misericórdia. Ou seja, sempre que uma pessoa sentir vontade de se irritar com alguém, deve parar, respirar fundo e refletir.

Quando a raiva diminuir, tome uma decisão firme de evitar palavras duras, especialmente insultos e humilhações. Em seguida, lembre-se de que a misericórdia é o “oxigênio” da criação e que o Criador não quer que você perca a paciência. Pelo contrário, peça a Hashem que ilumine você com Sua face misericordiosa, para que você consiga sentir compaixão pela outra pessoa, em vez de raiva.

Hashem terá prazer em te ajudar nisso, pois Ele é mais exigente com a honra de Seus filhos do que com a Sua própria honra. Por isso, façamos da proteção da dignidade das outras pessoas uma prioridade em nossas vidas — porque assim preservamos a honra de Hashem. Quando alguém honra o Pai, honra também Seus filhos.

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