
Enxergando o bem nas pessoas
Se julgássemos o campo apenas pela aparência que ele tem num único momento no final do verão, poderíamos cometer o trágico erro de considerá-lo inútil.

Enquanto eu e minha esposa caminhávamos pelo Vale de Jezreel, passamos por um campo coberto de ervas daninhas e espinhos. Tinha cerca de 24 mil metros quadrados. As ervas haviam crescido tanto que o campo parecia roxo por causa dos brotos que floresciam por cima.
Se você olhasse aquela cena sem contexto algum, pareceria algo terrível. Parecia uma plantação fracassada. Mas a verdade era diferente. O fracasso não era o campo – o erro era eu julgar toda a vida de algo com base em um único momento congelado no tempo.
Nós somos iguais àquele campo.
Se você olhar para alguém que acabou de voltar de uma balada, aquele momento congelado da aparência dessa pessoa pode levar tragicamente à conclusão de que ela não tem valor algum.
Hashem nos ordena a julgar todos favoravelmente. Está escrito:
“Julgue o seu próximo com justiça.” (Vayikra 19:15)
Como fazer isso?
Observando toda a trajetória do campo de trigo.
Antes e Depois
Dentro de alguns meses, aqueles hectares serão arados e todas as ervas daninhas serão removidas. Durante grande parte do outono, haverá apenas um enorme quadrado de poeira cobrindo metros e metros de terra.
Então chega dezembro, e Hashem envia água do céu.
Essa água se mistura com a terra, e então mares de verde começam a surgir das profundezas, criando uma paisagem rica e vibrante.
É nesse momento que Hashem cumpre Sua primeira bênção no Birkat HaMazon:
הזן את העולם כולו בטובו, בחן, בחסד, וברחמים
“Ele alimenta o mundo inteiro com bondade, graça, misericórdia e compaixão.”
Todo o campo começa então a produzir trigo. Em apenas alguns hectares, milhões de espigas brotam, cada uma carregando dezenas de grãos que se transformarão em farinha para a chalá de Shabat, bolos, pitot e praticamente tudo aquilo que cozinhamos no forno ou fritamos numa panela.
Em maio, o trigo amadurece e as espigas assumem uma cor bege-dourada. Elas refletem os raios do sol como ouro puro brilhando. Em Shavuot, o campo parece o Tesouro do Rei, sustentando milhões e milhões de plantas douradas reluzentes, cada uma carregando os tesouros dados por Deus.
No verão, o trigo é colhido. Os grãos são separados das espigas e processados em farinha. Os talos restantes são amarrados em fardos de feno para alimentar os animais. Enquanto a terra descansa durante os meses de verão, as ervas daninhas crescem novamente e os espinhos brotam.
Se julgássemos o campo apenas pela aparência que ele tem num único momento no final do verão, poderíamos cometer o trágico erro de considerá-lo inútil.
As Histórias dos Nossos Sábios
O que diríamos sobre o adolescente que era príncipe da nação mais imoral da época?
E sobre o pastor que costumava perseguir os sábios?
Ou sobre aquele rapaz que passava a noite em festas durante a folga do exército?
Todo judeu é como aquele campo.
Se olhássemos para eles enquanto seus campos estavam cobertos de ervas daninhas, sem levar em consideração no que se transformariam pouco tempo depois, perderíamos a ascensão de Moshe Rabeinu, a transformação de Rabi Akiva e o impacto que Rav Shalom Arush causaria em todos nós.
E quanto ao judeu que você vê no espelho?
São os espinhos inúteis que você escolhe enxergar — ou a terra fértil que possui a capacidade de alimentar o mundo?





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