
Rezar pela espiritualidade
É evidente que uma pessoa não deve pedir por um bem material - como um um apartamento ou um carro - da mesma forma como pede pela própria vida. Quem faz isso desperta um julgamento severo contra si mesmo, como afirma a Guemará, e isso pode lhe causar dano, Deus nos livre.

Devemos acreditar com uma emuná completa que Hashem quer nos dar tudo aquilo de que precisamos e desejamos. Cada pessoa que faz o trabalho da vontade é basicamente como Choni Hameaguel. Ela diz a Hashem: “Não há nada mais que me interesse. Vou voltar aqui dia após dia e continuarei suplicando diante de Ti durante meia hora até que me salves. Estou disposto a rezar por isso até o último dia da minha vida”.
Como diz Rebe Nachman de Breslev: precisamos “vencer” Hashem, por assim dizer. E Hashem fica mais do que feliz quando “O vencem”, pois essa é Sua única vontade (Likutey Moharan I 124):
“Uma canção, uma melodia para o regente” (Salmos).
Em hebraico, a palavra “regente” também pode ser traduzida como “vencedor”. Assim, essa frase dos Salmos pode ser entendida como: “Cantem Àquele que Se alegra quando as pessoas O vencem” (Pessachim 119a).Quando alguém fala com Hashem e, ao falar, usa argumentos e súplicas, está demonstrando que quer “vencer” Hashem, por assim dizer. E Hashem, Bendito Seja, Se deleita nisso. Por isso, Hashem envia a essa pessoa palavras com as quais ela possa vencê-Lo.
Mesmo que essa pessoa esteja em um nível extremamente baixo, mesmo que não tenha mérito para pedir nada a Hashem, ainda assim pode pedir que Hashem a aproxime Dele, porque foi para isso que ela foi criada (Sichot HaRan 69):
Mesmo quando a pessoa sente que Hashem não quer aproximá-la Dele devido ao grande dano espiritual que causou, e ainda que agora esteja agindo corretamente e de acordo com Sua vontade, mesmo assim ela deve fortalecer a si mesma até que Hashem tenha compaixão dela e a aproxime, porque: “Apesar de tudo, eu quero ser judeu!”.
Essa pessoa quer “vencer” Hashem, por assim dizer, e Hashem, Bendito Seja, Se alegra com o fato de que as pessoas querem “vencê-Lo”, por assim dizer.
Quando alguém dedica tempo todos os dias ao trabalho da vontade, quando se esforça para alcançar serenidade mental e relembra a si mesmo os ensinamentos que vem estudando, então desperta dentro dele a percepção interna de que cada pecado e cada desejo físico são como a morte. E então ele pode argumentar com todas as suas forças diante de Hashem:
Mestre do universo, preciso que Tu me resgates.
Por favor, salva-me agora mesmo.
Acaso Tu me criaste para que eu seja como um animal?
Tu me criaste como um ser humano, mas neste exato momento eu não sou um ser humano.
Por que estou agindo dessa maneira, como se fosse uma besta, um animal de duas patas?
Resgata-me, salva-me!
Tu precisas me ajudar imediatamente, agora mesmo!
Não posso continuar assim nem por mais um segundo.
Isso é pior do que uma prisão, pior do que uma cela, pior do que o castigo mais terrível.
Mestre do universo, a cada desejo físico estou perdendo completamente meu coração; estou perdendo aquilo que tenho de mais precioso na vida.
Estou perdendo minha vida por causa da minha tolice, por causa das minhas fantasias.
Dia após dia me deixo levar. Vou afundando e estou em terrível perigo.
Já não me restam forças.
Em um instante vou me perder completamente.
Tu precisas me salvar!
É evidente que uma pessoa não deve pedir por um bem material – como um um apartamento ou um carro – da mesma forma como pede pela própria vida. Quem faz isso desperta um julgamento severo contra si mesmo, como afirma a Guemará, e isso pode lhe causar dano, Deus nos livre.
Um dos meus discípulos me contou que, depois de me ouvir dizer que devemos ser insistentes ao apresentar nossos pedidos a Hashem, voltou para casa e se deparou com um problema antigo para o qual não encontrava solução. Influenciado pelo que eu havia dito, dirigiu-se a Hashem e falou: “Preciso de uma solução. Salva-me agora mesmo!”. Milagrosamente, o problema se resolveu da melhor maneira possível.
Mas poucos minutos depois, enquanto preparava uma salada, a faca escorregou da sua mão e lhe causou um corte muito profundo. Então ele começou a se perguntar por que Hashem havia feito aquilo com ele, e chegou à conclusão de que isso foi para ensiná-lo que havia errado ao insistir tanto por um objeto material.
E ele tinha razão…





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