Falecimento do tzadik Shalom ben Rivka

“Mestre do Universo, ensina-me como fazer um discurso fúnebre, sobre o quanto fomos profundamente quebrados... Ai! O que será de nós? O que podemos dizer? Quem poderá preparar para nós um discurso fúnebre apropriado e amargo para chorarmos por nossa grande perda?...”

5 tempo de leitura

Racheli Reckles

Posted on 16.08.26

Shalom Saginer a”h, neto de quatro anos do Rav Shalom Arush, morreu afogado em uma piscina no México, no dia 25 de Av (8 de agosto), enquanto sua família estava de férias.

A verdade é que aquilo não foi apenas férias… foi uma verdadeira entrega e auto-sacrifício. Os pais de Shalom e seus irmãos estavam viajando pelos Estados Unidos para fortalecer muitos judeus e comunidades que precisavam deles. Pediram insistentemente que fossem até uma pequena cidade turística na Califórnia, perto do México. Não havia minian, não havia sinagoga, não havia nada. O Rav Assaf Saginer, pai de Shalom, contou que, na noite de sexta-feira, cantou as rezas com as crianças do lado de fora, em um mirante com vista para a praia. Quando terminaram, o pequeno Shalom disse que conseguia ver os anjos dançando com eles!

Uma das últimas coisas que o pequeno Shalom fez foi pedir para cantar a música “Bar Yochai” na manhã de Shabat. Eles também fizeram uma pausa no meio de sua espécie de “turnê americana” para viajar até Uman. Sua mãe preparou toda a comida para a viagem das mulheres com a Rabanit Arush, durante Tu BeAv.

No voo de volta para a América, Shalom perguntou: “Depois disso, vamos voltar para Uman?” Seu pai respondeu: “Não, vamos voltar para a nossa casa em Israel.” Mas, na verdade, ele sabia que estava indo direto de volta para o Rebe Nachman. Ele sempre queria cantar: “O Rebe Nachman gritou: não existe desespero no mundo.. Rabeinu tzaak: ein shum ieush baolam klal!” Os homens cantaram essa música para ele antes de fecharem as portas do carro funerário para levá-lo ao Monte das Oliveiras para o enterro.

A emuná começa onde termina a nossa capacidade de compreender.

Podemos compreender um pouquinho. O Rav Arush shlita começou seu discurso fúnebre citando o Rav David Chai Abuchatzira shlita (filho do Baba Sali ztl), que disse que Shalom “era uma neshamá (alma) muito elevada de um Tana (grande tzadik de antigamente)”. Ele era um grande tzadik! E esse era o seu tikun (retificação): vir a este mundo, aprender o Alef-Bet e, depois, deixar este mundo como uma kapará, uma expiação, pelo povo judeu.

O Rav Arush também disse que o Rav Abuchatzira contou que ele queria morrer em um lugar puro, por isso, correu para dentro de uma piscina e caiu, que é essencialmente uma gigantesca mikvê. Ele era um grande tzadik que morreu em pureza.

O pai de Shalom contou que todos os dias estuda o “Chok Breslev”, que são os livros do Rebe Nachman divididos em partes diárias. Ele já estava alguns dias atrasado antes de a tragédia acontecer. Sabia que não conseguiria se concentrar nos estudos, então abriu justamente na reza do primeiro dia que havia deixado de estudar, escrita pelo Rabi Natan de Breslev zt”l.

Ele descobriu que a reza daquele dia era a Reza 33 da Parte II do Likutei Tefilot, uma oração extraordinária sobre o lamento pela perda dos tzadikim.

Ele leu a primeira parte da reza, que inclui:

“Mestre do Universo, ensina-me como fazer um discurso fúnebre, sobre o quanto fomos profundamente quebrados… Ai! O que será de nós? O que podemos dizer? Quem poderá preparar para nós um discurso fúnebre apropriado e amargo para chorarmos por nossa grande perda?…”

Não acredito que ele pudesse ter preparado palavras melhores para fazer o discurso fúnebre de seu filho, mesmo que tivesse tentado. Todos choravam em voz alta enquanto ele lia a reza…

Então, seguramos tudo isso junto, como uma grande mistura. Nós choramos? É claro que choramos! Mas não choramos com desespero. Isso não é uma perda total. É algo incrivelmente doloroso, mas, ao mesmo tempo, seguramos firmemente a emuná!

Hashem nos ama. Ele sabe exatamente o que está fazendo. Não foi uma coisa boa que aconteceu, mas, ainda assim, é para o bem absoluto.

O Rav Arush contou que, quando sua outra pequena neta Feige Chana a”h morreu em um terrível acidente de carro há alguns anos atrás, ele disse que não temos ideia do que ela conseguiu alcançar através de sua morte. Quantas pessoas se aproximaram de Hashem, quanto bem foi feito em seu mérito. Só posso imaginar que o mesmo possa ser dito aqui.

Como diz o Rav Arush:

“Nós nunca soltamos a emuná, não importa o que aconteça.”

NÃO IMPORTA O QUE ACONTEÇA.

Já recebi uma pergunta dizendo: “Como podemos cantar ‘Od yoter tov – Somente melhor e melhor’? Que tipo de ‘melhor’ estamos esperando? Como isso poderia ser bom?”

O Rav Linder shlita, o Mashgiach da Chut Shel Chessed, disse em seu discurso fúnebre que fazer perguntas sobre Hashem é como olhar para dentro de um abismo. Não se incline sobre esse abismo… você pode cair, e continuar caindo, que D’us nos livre.

Não faça perguntas! Você conhece todas as retificações de uma alma? Você consegue enxergar tudo como o Tribunal Celestial? Você acha que sabe alguma coisa para fazer perguntas?!

Ele disse que existe a expressão “Chukei Chaim”, a Torá é composta pelas leis da vida. A raiz da palavra “lei” nessa expressão é “chok”, que representa o tipo de lei que não conseguimos compreender neste mundo com nossas mentes humanas e limitadas.

O hebraico possui outras palavras para “lei”, como “mishpat”, que representa um tipo de lei cuja necessidade podemos compreender. Mas um “chok” é uma lei que simplesmente existe e devemos reconhecer que somente no Mundo Vindouro poderemos compreendê-la.

A vida é uma chok… há tantas coisas que não conseguimos compreender.

Não há perguntas. Somente emuná!

Deixe-me responder com algumas outras respostas do Rav Arush.

Ele disse que “od yoter tov – somente melhor e melhor” sempre se refere à espiritualidade. No aspecto físico, não sabemos exatamente o que acontecerá. Mas, espiritualmente, com emuná, as coisas somente ficam melhores e melhores.

O Rav Arush também disse certa vez que a ideia é que, todos os dias, fazemos outro cheshbon nefesh (balanço espiritual), fazemos mais reza pessoal, buscamos mais proximidade com Hashem. Isso apaga nossos pecados e nos aproxima de Hashem.

E então, Hashem faz tudo ficar melhor e melhor, tanto física quanto espiritualmente!

O nível mais elevado de compreensão é perceber que não acreditar que as coisas vão melhorar, é a maior humilhação possível para Hashem.

Todo pai deseja apenas coisas boas, o melhor de tudo, para seu filho. Se isso é verdade em relação a um ser humano, quanto mais em relação ao nosso Criador, que criou o mundo inteiro somente para fazer o bem para nós!

Portanto, se não acreditarmos nisso, é din (julgamento) sobre nossas cabeças, que D’us nos livre.

Mas, se acreditarmos nisso, especialmente quando é difícil, então isso é um grande mérito para nós.

E somente recebemos aquilo em que acreditamos!!!

Então, se você acredita que tudo vai ficar somente melhor – “Meu Pai Celestial me ama e só faz o bem para mim. As coisas vão melhorar!” – então Hashem realmente fará com que isso aconteça!!

O Rav Arush também disse durante seu discurso fúnebre que não existe pausa na Torá. Mesmo durante o “Bein Hazmanim”, as férias de verão, todos os dias devemos estudar!

Ele também pediu às mulheres que digam Tehilim (Salmos) todos os dias.

O Rav Elchadad shlita mencionou em seu discurso fúnebre que esta é apenas uma entre algumas tragédias, algumas crianças sagradas que Hashem levou na semana passada em Israel.

Precisamos despertar!

Precisamos ouvir o alerta de Hashem!

Não podemos endurecer nossos corações!

Precisamos fazer alguma coisa em mérito do pequeno Shalom ben Rivka:

Acrescentar santidade.
Acrescentar estudo de Torá.
Acrescentar recato.
Acrescentar reza pessoal.
Apoiar ainda mais a divulgação da emuná, assim como seus pais estavam fazendo com tanta entrega e auto-sacrifício quando ele faleceu.

Shalom a”h veio a este mundo e partiu deste mundo para preparar o caminho para a Geulá e o Mashiach com misericórdia.

Isso estava literalmente escrito na capa que envolvia seu pequeno corpo:

“Pela Redenção do povo judeu.”

Devemos continuar o trabalho que ele começou!

“Você pode não conseguir concluir o trabalho, mas também não está isento dele!”
(Ética dos Pais, 2:16)

A caminho do seu enterro no Monte das Oliveiras em Jerusalém, junto com o corpo de Shalom na van, também estavam: os pais, os avôs, o Rebe (professor) do cheider e outros parentes de Shalom. E juntos todos cantaram para Hashem: Mizmor leTodah – Tehilim 100, “Um Cântico de Agradecimento”, que o Rav Arush costuma ensinar aos seus seguidores a cantar todos os dias. Essa não foi uma música normal. Essa foi a demonstração de emuná mais verdadeira e pura – no seu nível mais difícil. Pois, a emuná em Hashem é o único consolo que podemos ter nesse momento.

Que Hashem possa confortar toda a família do Shalom – um pequeno tzadik de 4 anos com uma alma de um grande tzadik. Que sua memória seja abençoada.

-Vídeo do cortejo fúnebre ao lado da Yeshivá do Rav Arush:

-Vídeo do enterro no Monte das Oliveiras:

Deixe o seu comentário!

1. Maria Angélica Boitar

8/17/2026

Que grande lição recebi agora! Gratidão Hashem por nos ensinar a crescer em Emunah! Que benção poder ler os ensinamentos do Rav Shalom Arush! Que o Eterno console os corações de familiares e amigos! Baruch Hashem Ata Adonai! Paz sobre Israel 🇮🇱💙

2. Ana Paula Trovilho dos Santos Pinto

8/17/2026

Que HaShem conforte os corações de todos vcs. É muito difícil dizer algo num momento tão difícil assim, só posso dizer que HaShem conforte vcs.

Thank you for your comment!

It will be published after approval by the Editor.

Adicione um comentário